Para ler ao som de State of Grace de Paul Schwartz – Play abaixo:
Levantou-se do leito, algo a incomodara. Não eram as dores, que de tão intensas já acostumara seu organismo aquelas torturas involuntárias. Sentia-se bem como se todas as suas dores houvessem escapado, as de corpo e mente. Não mais se sentira culpada pela negligencia dos tratamentos químicos e um sentimento eufórico tomou toda sua consciência. Andou devagar até o banheiro mas nem se reparou no espelho, mirou os olhos no sanitário e perdeu repentinamente as necessidades. Foi até o corredor frio do hospital que parecia vazio aos seus sons, mas deparou-se com várias pessoas de um lado para outro em ritmo descompassados e olhares questionadores, assustou—se com a cena que vira e imaginou alguma pane coletiva na tecnologia hospitalar. Retornou e deu-se conta que sua filha encontrava-se ali num cochilo despercebido de quem esforça-se para manter-se acordado, reparou por um instante sua beleza jovial estampada no rosto da jovem e quis abraçá-la como se de alguma forma pudesse recuperar sua juventude e todos os gozos da saúde que esta carrega. Sentou-se na cama e percebeu algo estranho, alguém tomara seu leito. Espantou-se, tentou entrar, acordar, mas seu corpo já estava fechado.
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Que triste… complexo, e ainda assim, doce.
A vida é mesmo meio estranha…
Bjo.
Comentário por @cacau_mila 22 22UTC novembro 22UTC 2011 @ 3:14 am